Um projeto em prol da conservação da gralha-de-bico-vermelho em Portugal
A gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), única espécie de passeriforme residente classificada "Em Perigo" pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, tem sofrido uma regressão acentuada das suas populações no último século, e em particular nos últimos 20 anos, praticamente por toda a sua área de distribuição; tendo mesmo ocorrido a extinção local em muitas regiões onde outrora era comum.
Neste contexto, o Projeto Bico-Vermelho (http://flavors.me/p_pyrrhocorax), lançado em 2006 pelo Laboratório de Ecologia Aplicada (LEA) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), pretende contribuir para um melhor conhecimento do estado das populações da gralha-de-bico-vermelho em Portugal, de forma a potenciar a sua conservação futura, através da implementação das medidas mais adequadas para o reforço da viabilidade dos núcleos reprodutores existentes no território Português.
Este programa de monitorização da gralha-de-bico-vermelho tem vindo a estender-se a todos os núcleos conhecidos, incluindo a Serra do Gerês (PNPG), a Serra do Barroso, o Parque Natural do Alvão (PNAl), o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), o Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros (PNSAC) e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), contribuindo para um melhor conhecimento da ecologia desta espécie, ao nível da sua distribuição local e regional, número de indivíduos, etologia, seleção de habitats de alimentação, repouso e nidificação, bem como da dinâmica da ocupação dos abrigos, sucesso reprodutivo e principais ameaças imputáveis a alterações das atividades humanas, nomeadamente expressas em termos do uso do solo e práticas agropastoris prevalecentes
Em 2012 o projeto inclui, para além dos objetivos previamente definidos, o desenvolvimento de campanhas direcionadas para a recolha de dados que permitam o estudo desta espécie à luz de novas áreas de conhecimento, como a análise dos padrões genéticos e da condição fisiológica e sanitária das populações. A análise da informação obtida contará com ferramentas de modelação ecológica, dinâmica e espacial, de forma a captar padrões emergentes da biologia, ecologia e distribuição da gralha-de-bico-vermelho, bem como simular tendências futuras do seu estado de conservação em Portugal, muito úteis para o apoio à decisão e gestão desta espécie ameaçada.
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