Aves
Entre as zonas mais importantes do Algarve e do país para a avifauna destaca-se a Península de Sagres, no Concelho de Vila do Bispo. Integrado no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, este local alberga espécies únicas na região e é palco de um fenómeno natural que, em Portugal, não encontra semelhante – a migração outonal de aves planadoras.
De agosto a novembro, esta zona torna-se no principal corredor migratório do país para cegonhas, águias, abutres, gaviões, falcões, etc., sendo possível observar praticamente todas as espécies de aves planadoras que ocorrem em Portugal, bem como algumas raridades. Algumas das que mais interesse despertam nos aficionados das espécies raras, são a águia-real (Aquila chrysaetus), a águia-imperial (Aquila adalbertii), o abutre-negro (Aegypius monachus) e o falcão-da-rainha (Falco eleonorae). Entre as espécies mais abundantes, destaque para a águia-calçada (Aquila pennata), a águia-cobreira (Circaetus gallicus), o gavião (Accipiter nisus), a águia-d'asa-redonda (Buteo buteo) e o grifo (Gyps fulvus). Em menor número mas com passagem regular, destaque para a cegonha-preta (Ciconia nigra), o abutre-do-egito (Neophron percnopterus), o falcão-abelheiro (Pernis apivorus), o milhafre-preto (Milvus migrans), o tartaranhão-caçador (Circus pygargus) e o tartaranhão-azulado (Circus cyaneus). Ao nível das corujas também é possível observar migradores em passagem, como o bufo-pequeno (Asio otus) e o mocho-pequeno-de-orelhas (Otus scops).
À parte das planadoras, Sagres é um local bastante interessante para observar outros grupos de aves, nomeadamente marinhas, estepárias, passeriformes, entre outras. Nas aves marinhas, refira-se a passagem de milhares de gansos-patola (Morus bassanus) e de centenas de pardelas-de-bico-amarelo (Calonectris diomedea) e pardelas-baleares (Puffinus mauretanicus). É ainda frequente a observação de moleiro-grande (Stercorarius skua).
Quanto às estepárias, a importância de Sagres justifica-se por ainda se manterem aí ativos muitos campos cerealíferos, pousios e pastagens para gado. Destaque para o sisão (Tetrax tetrax), para a petinha-dos-campos (Anthus campestris) ou para o alcaravão (Burhinus oedicnemus). Nos matos circundantes ocorrem diversas felosas, com particular importância para a felosa-do-mato (Sylvia undata) e a felosa-tomilheira (Sylvia conspicillata).
Por fim, uma referência a espécies que todos os anos são observadas com relativa facilidade na zona de Sagres, nos matagais e bosques em torno da vila: Torcicolo (Jynx torquilla), felosa-de-bonelli (Phylloscopus bonelli), papa-figos (Oriolus oriolus) e sombria (Emberiza hortulana).
Uma ave que não é migradora mas que merece lugar de destaque é a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax). Esta espécie extinguiu-se localmente em vários pontos do país mas resiste ainda em Sagres, sendo facilmente observada junto ao Cabo de São Vicente. Nesta região continuam a manter-se boas condições ecológicas para este corvídeo mas a tendência não deixa de ser de regressão.


